Princípios do Teikei

As primeiras CSAs surgiram no Japão, na década de 1970, por iniciativa de um grupo de mulheres temerosas dos efeitos que os agrotóxicos poderiam causar na saúde de seus filhos e familiares.  Esse movimento, que recebeu o nome de TEIKEI, não parou de crescer e hoje fornece comida para quase um quarto dos lares japoneses. TEIKEI significa algo como “cooperação” e costuma ser definido pelo slogan: “O rosto do agricultor no alimento”.  Segundo a Associação de Agricultura Orgânica do Japão (JOAA), fundada em 1971, “TEIKEI não é apenas uma ideia prática, mas também uma filosofia dinâmica que faz as pessoas pensarem em ter uma vida melhor através de sua interação enquanto consumidores e produtores”.

TEIKEI-SIMBOLO

PRINCÍPIOS DO TEIKEI

1 – Princípio da assistência mútua
A essência dessa parceria não reside na negociação financeira em si, mas na relação amigável entre as pessoas. Desta forma, produtores e consumidores se ajudam entre si, desenvolvendo uma compreensão mútua. Esta relação deve se estabelecer com base na análise das experiências passadas.

2 – Princípio da produção prevista
Os produtores devem se propor a produzir apenas a quantidade e a variedade de produtos que suas fazendas ou sítios são capazes de produzir.

3 – Princípio da aceitação dos produtos
Os consumidores devem aceitar todos os produtos que tiverem sido cultivados – com base em acordo prévio com os produtores – e sua dieta deve depender o tanto quanto possível desta variedade de produtos.

4 – Princípio da concessão mútua na decisão de preços
Ao decidir o preço do produto, os produtores devem considerar claramente o valor dos seus gastos, bem como da quantidade de produtos que podem oferecer; e os consumidores devem ter em mente o benefício de obter alimentos frescos, saborosos e de fonte segura.

5 – Princípio do aprofundamento das relações de amizade
O desenvolvimento contínuo desta parceria exige o aprofundamento das relações de amizade entre produtores e consumidores. Isso só será alcançado através da máxima integração e contato entre os parceiros.

6 – Princípio da auto-distribuição
Com base neste princípio, o transporte dos produtos até os pontos de distribuição deve ser organizado entre os agricultores e os consumidores, sem a dependência de transportadores profissionais.

7 – Princípio da gestão democrática
Ambos os grupos devem evitar o excesso de responsabilidade de um número limitado de líderes, e tentar praticar uma gestão democrática. Devem ser levadas em consideração as condições particulares das famílias dos membros através do princípio da assistência mútua.

8 – Princípio da aprendizagem entre os grupos
Cada grupo – o de produtores e o de consumidores – deve dar importância ao que pode aprender junto ao outro, tentando manter atividades comuns, além da colheita e entrega de alimentos saudáveis.

9 – Princípio da manutenção do tamanho apropriado do grupo
A concretização dos princípios acima será difícil se o número de participantes ou o espaço utilizado por estes grupos se tornar grande demais. Essa é a razão pela qual os dois devem ser mantidos em um tamanho adequado. Assim, o aumento do número de integrantes deve ser acompanhado pelo aumento do número de unidades colaborando entre si.

10 – Princípio do desenvolvimento estável
Na maioria dos casos, nem os produtores nem os consumidores serão capazes de desfrutar imediatamente de todas as condições acima mencionadas. Portanto, é necessário que ambos sejam pacientes e – mesmo que as condições atuais sejam insatisfatórias – sigam em frente de forma cooperativa.

Fontes: http://csabrasil.org e http://urgenci.net